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O Tempo uma abordagem mística
Embora o conceito sobre o Tempo em suas mais amplas abordagensfosse conhecido em diversas culturas como no Egito, talvez tenham sido os Gregos os que mais precisamente o definiram, provavelmente no intuito tornar compreensível ao homem o mistério do seu fluir: o Tempo flui, sendo incapaz de ser contido.
Na ânsia por respostas dessa natureza, como a da fluidez do tempo, o homem cria os Mitos: dotados de simbologia própria e personagens criadas, dotadas de capacidades especiais, tais personagens experimentariam fatos relacionados com a vida cotidiana e os enfrentariam com sucesso, exatamente por conta de suas capacidades especiais. Atemporais e eternos, os Mitos passaram a ser presença constante na vida de cada ser humano: nós somos as personagens criadas pelo Mito, sendo desta forma que encontramos as soluções para nossa própria história.
Os gregos inicialmente trataram de antropomorfizar a figura do Tempo em três representações, tornando-o dessa forma mais compreensível, a saber:AION, CRONOS e KAIRUS(ou Tempus).
1. AION(em grego significava eternidade)era a representação do Tempo absoluto, contínuo e sagrado. Não possuindo qualquer forma de medida, era associado ao movimento dos astros e expressava o Tempo das esferas espirituais. É o que costumeiramente se diz “o tempo de deus”.
2. CRONOS(do grego tempo) era a representação do tempo humano. Ele nos remete a compreender as limitações da vida. Era o corpo que envelhece, a juventude que dava lugar a maturidade e que jamais retornaria de forma totalmente absoluta. Ele afirmava que o envelhecimento físico era irreversível e, dessa forma, e algumas vezes representava o rebelar do homem contra seu próprio ciclo natural. Cronos nos leva a compreender que nada permanece inalterado. CRONOS controlava as horas, os ciclos e as estações.
Mas CRONOS não vivia só:ANANQUÊ – a inevitabilidade – era sua grande companheira. É necessário dizer que a inevitabilidade aqui representada por ANANQUÊ expressava efetivamente a necessidade e a consequência, atributos que nos remetem mandatoriamente à Lei do Retorno ou Ação e Reação uma vez que ANANQUÊ retrata o homemcomo o resultado de suas próprias ações: ao agir de forma correta frente às necessidades da vida, o retorno será consequentemente favorável.
Da união entre CRONOS E ANANQUÊ, surgem as PARCAS, as três irmãs que fiavam o destino do homem. Não eram entidades más: eram justas. Seus nomes eram:
• CLOTO:quem tecia o fio da vida, controlando o nascimento e a gestação.
• LAQUESIS: enrolava o fio do destino, determinando os acontecimentos.
• ATROPOS: quem cortava o fio da vida, conduzindo à morte.
3. KAIRÓS(tempo em grego) representava finalmente o Tempo Oportuno. É KAIRÓS a expressão das melhores situações, do Tempo associado à qualidade. Dessa forma, KAIRÓS sempre se opunha à CRONOS, permitindo que o lapso de Tempo deixasse de ser controlado ou até mesmo medido. KAIRÓSpossuía suas próprias regras para determinar o fim deste Tempo oportuno.
KAIRÓS era rápido, vivia correndo e sempre estava nu. Tinha um cacho de cabelos na testa. Agarrar este cacho eraúnica forma de detê-lo. Se esta oportunidade se escapasse, seria impossível traze-lo de volta para outra tentativa.
Ele nunca refletiria o passado oupressentiria o futuro. Simbolizava sempre o instante presente, quando era possível afastar o caos e abraçar a felicidades.
KAIRÓS era acompanhado de deuses ligados aos prazeres da existência. Aqui a palavra prazer deve inicialmente ser interpretada com cuidado, como discutiremos ao final deste trabalho. Pertencentes aeste grupo dedeuses citamos asGRAÇAS, ligadas aos banquetes, prosperidade da família, do encanto e da sorte.
DISCUSSÃO. OS ROMANOS E SUAS ENTIDADES ALEGÓRICAS. A ANTROPORMOFIZAÇÃO DE ATRIBUTOS. O MITO COMO A TRADUÇÃO DO INEXPLICAVEL AO HOMEM.
Os romanos tinham o habito de cultuar o que chamavam de “Divindades Alegóricas”. Verdade, Honra, Justiça, Perfeição, Virtude, Sabedoria, Gratidão, Paz e Prudência, dentre outros, faziam parte deste grupo de entidades alegóricas. Assim ao cultuar a Verdade, por exemplo, esta se converteria em uma egrégora que passaria a influenciar positivamente o grupo de pessoas que a alimenta.
O Mito permite que uma Entidade Alegórica se converta em egrégora. Mas de que forma?
Cria-se o Mito de um Mestre Construtor, uma pessoa Justa e Perfeita. Um mestre que trabalha com Prudência e Sabedoria e sempre Grato a seus obreiros. Dá-se a esse Mestre um nome que será ligado a símbolos: por ser o desenhista e construtornada mais apropriado como instrumentos de desenho ( esquadro, compasso, régua ) assim como ferramentas para a construção ( prumo, trolha ) , e finalmente temos a imagem de um Mestre , gerada pela antropomorfização. É o inicio de uma Lenda. Agregaremos agora um enredo, e a lenda em torno do mito está criada.
EXISTIU OU NÃO ESTE MESTRE? ISSO NÃO INTERESSSA, SENÃO QUE A EGRÉGORA GERADA POR SEU MITO.
O Mito KRONOS nos remete à compreensão das limitações temporárias da vida mortal. Sua representação como o corpo que envelhece leva-nos a aceitar o inevitável. Gerações de novos substituem diariamente os mais velhos. Células do corpo diminuem sua capacidade metabólica e as reações quimicofisiológicas desaceleram-se. Tudo é normal e inevitável. Tudo vai acontecer.
Mas então ANANQUÊ nos conduz a refletir sobre nossa capacidade de mudar o que pode ser mudado e aceitar aquilo que não temos como reverter.
Para mudar o que pode ser mudado temos que nos afinar com a sintonia de KAIRÚS: agarrar seus cachos de cabelo na hora oportuna e buscar, junto com as GRAÇAS, o prazer desta mudança. Como dito, tal prazer não pode ser interpretado de forma profana ou mundana. A elevação do nosso espirito deve ser a máxima.
Assim, valendo-se do Mito do Grande Mestre Construtor, usufruiremos de sua egrégora, em seu devido Tempo. Como dizia um sábio sacerdote egípcio “Deuses resultam em personificações da existência. Eles passam a existir a partir do instante em que a energia mental projeta, preenche, e doa vida ao antes inanimado”.
LUIS FERNANDO FIORI CASTILHO
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CIM 276329
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